Acordei ainda meio sonolenta exatamente as 10 horas,quando o despertador do celular tocou.Virei para o lado e pensei: vou dar só mais uma dormidinha,15 minutos e levanto melhor. Acordei uma hora depois quando a Blanc me ligou ,- ei,vôce ainda está dormindo? Vamos logo, venha me buscar que ja estou pronta.
Pulei da cama e o interfone tocou. O meu foi atender e ouvi quando disse ,-flores para a Bleu?
-Ei Bleu, estão entregando flores para você, será algum admirador secreto?
-Não,-falei dando risada-, as flores devem ser de uma amiga que ajudei dias atras.
Quando vi as lindas "flores de maio" e o cartão tive certeza,era ela mesmo, e as flores eram para nós, o meu,a Blanc e eu. Gesto delicado que só pessoas de alma grandiosa podem fazer.Coloquei as flores na sala, maquiei-me rapidinho e fomos para a casa da Blanc. Resolvemos ir para a praia pelo contorno,corta bastante caminho. Ainda chovia levemente e era preciso guiar com muito cuidado.
Chegamos na casa da Anja já passava da uma. Era seu aniversário e ficou muito feliz em nos ver. Estava preparando um belissimo almoço, como sempre, abriu os presentes que levamos, seu filho ,neta e namorado,todos muito alegres estavam a sua volta comemorando seu dia especial. A mesa estava arrumada com seu jogo de porcelana de girassóis e uma jarra branca com rosas e angelicas espalhavam perfume pela sala.
Nos divertimos muito ajudando a Anja na terminação dos pratos,brindamos com um champagne bem gelado e quando terminamos de almoçar já passava das 4 horas_Não vá ainda Bleu,-me pedia ela com carinho-, vamos jogar uma partidinha de crapo.Como ainda chovia,e todos nós estavamos bastante preguiçosos após tão delicioso ágape concordei. Sentamos na sala azul,e jogamos por duas horas,felizes em estarmos juntas.
A noiteceu muito rápido,saimos do balneário perto das 6 horas. Não sei bem porque mas senti uma espécie de angústia em meu coração,sabe,assim quando a gente tem uma premonição de que algo vai dar errado. Não se pode fazer nada para afastar esses pensamentos ,eles vem e tomam conta do seu coração. Nem bem saimos de lá vi de longe o pisca pisca das ambulâncias e carros de policia. Passamos por um acidente ,e nem pensei em olhar pra ver se havia feridos. Meu coração estava tão angustiado que achei que era esse o motivo, um acidente que poderia ter acontecido com a gente. Me acalmei um pouco e relaxei na poltrona do carro,acho até mesmo que dei uma dormidinha. Blanc quando entrou na parte de tras do carro arrumou o travesseiro que havia trazido,e dormia profundamente.
Pegamos a estrada supervisionada pela empresa Tal, chovia menos mas a temperatura havia caido bastante.Um movimento razoável de caminhões seguia em direção a Curitiba. Acordei e embalei uma conversa agradável com o meu quando, no alto da serra,o carro morreu. O meu ainda tentou dar partida,o carro percorreu mais uns dez metros ,ele parou no acostamento e o carro não andou mais. Faltou gasolina, eu havia me distraido,achei que tinha colocado gazolina ontem,mas havia colocado sim ha 3 dias,e andado muito com o carro.O marcador estava estragado e eu tentava lembrar de completar o tanque a cada dois dias pelo menos. Desta vez eu havia rodado com o carro por tres dias e nossa ida ate a praia consumiu o pouco que restava no tanque.
-Não se preocupem,essa rodovia a gente paga pedágio pra que nessas horas venham nos acudir. Vou ligar para o número de emergência e voces vão ver,já já estarão aqui.
Estavamos no alto da Serra do Mar,circundados por uma cadeia de montanhas e ...pasmem...nenhuma torre ou antena ou sátélite da Tim. O celular simplesmente...não tinha sinal nenhum....lembrei então que eu tinha um outro celular comigo, da Vivo...e nada também.
Foi ai que a Blanc resolveu tentar,mudou algo no celular que passou a procurar sinal de forma diferente e conseguiu. Passou uma mensagem para a Rouge pedindo que ligasse para o resgate.Eu sai do carro para tentar ligar e consegui falar com alguem da Empresa do Pedágio que me disse para esperar que logo iriam mandar um caminhão guincho.Entrei no carro molhada,cabelo ensopado ,morrendo de frio. A partir desse momento não mais conseguimos nos conectar com o mundo,tinhamos que esperar. Caminhões pesados passavam por nós em velocidade,sentiamos o carro balançar.
-Onde estamos meu Deus, será que vão nos achar aqui,-e se um caminhão desses não nos ver e passa por cima....e se formos assaltados.... estavamos apavorados e sem poder fazer nada.Sai do carro mais uma vez, estava precisando ir ao banheiro,tinha que ser ali mesmo.Blanc dentro do carro teve um ataque de riso ao me ver em situação tão embaraçosa, me distrai com suas risadas e me dei mal. Estava agachada com os pés no asfalto , fazendo xixi no acostamento com areia. Quando olhei para a Blanc desviei a atenção do que estava fazendo e acabei fazendo xixi no asfalto que espirrava nas minhas pernas.Que raiva,alem de molhada, assustada,amedrontada ainda por cima lambrecada de xixi. Lembrei que tinha lenços úmidos para limpar os cachorrinhos quando vomitavam no carro e limpei o que pude ,agora com um up grade,eu estava cheirando a cachorro ...cheirosinho.
Podiamos ouvir um barulho vindo do mato,não devia ser nada,provavelmente o vento,ou o deslocamento de ar dos caminhões em velocidade.
-Você ouviu isso Blanc?
_Ouvi sim, será que é um animal selvagem,perguntou o meu?
Acendi o farol do carro e vi nitidamente aquela noiva parada em frente ao carro,o véu esvoaçante,mas como podia se a chuva não tinha parado por nenhum instante?
De onde ela havia vindo, não havia carro por perto,nenhuma luz de alguma casa,nada,somente nós e caminhões que não paravam?
Nós tres perdemos a fala.Aquela visão assustadora nos paralizava,um cheiro de rosas invadiu o ar e assim como veio foi, a noiva desapareceu no ar,sumiu,fantasma errante que assombra os perdidos.Blanc teve um acesso de choro e gritava histéricamente,- me tirem daqui,quero sair daqui,-e eu sem saber bem o que tinha visto tentava convence-la que era tudo parte da nossa imaginação,não podia ser real.
-Graças a Deus o carro de socorro está chegando,fiquem calmas,já vamos embora.
O meu foi o primeiro a ver as luzes vermelhas do guincho que encostava atras do nosso carro. Um homem estranho desceu,vestia um macacão surrado desses de frentista de posto de gasolina,não usava uniforme da Empresa. Encostou junto a minha porta,eu abri a janela para conversar e senti um arrepio que subiu ate minha espinha.
-Boa noite senhora, o que aconteceu com o carro?
-Deve ter sido falta de gasolina, o senhor trouxe um pouco ?
-Não trouxe não porque é proibido,vou ter que guinchar seu carro até o próximo posto.Lá a senhora vai poder ver se é isso ou não,eles tem mecânicos se necessitar.
Assustada com a visão da noiva eu ainda tremia de pavor mas aquele homem era da Empresa, só podia ser.-Não precisa ter medo ,-eu dizia para a Blanc tentando me convencer também. O meu saiu para checar o engate do guincho e quando estava tudo certo o homem pediu que fossemos dentro do caminhão com ele,que era perigoso ficar no carro .
O meu foi na frente e Blanc e eu fomos no banco de trás,abraçadas,tentando esquecer a visão.
O caminhão começou a andar e tentei puxar conversa com o motorista que fazia de conta que não me ouvia. Perguntei mais alto quanto tempo ia levar ate o proximo posto,e por entre os dentes murmurou algo parecido com 10 minutos.
Me apavorei quando ele saiu da estrada principal entrando a toda por um caminho estreito, sem asfalto.-Hei cara,onde é que estamos indo perguntei? -A estrada está interrompida mais adiante, temos que seguir por aqui.........................................
Continuação amanhã....depois que eu dormir um pouco.
sábado, 2 de maio de 2009
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Acho errado uma pessoa comecar a contar uma historia e nao terminar.....
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